Juvenil ou Varonil ?

Esta é a dúvida que todo ano surge acerca da letra do Hino à Bandeira, haja vista circularem versões contendo as duas expressões.


O Hino à Bandeira surgiu de um pedido feito pelo Prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos, ao poeta Olavo Bilac para que compusesse um poema em homenagem à Bandeira, encarregando o professor Francisco Braga, da Escola Nacional de Música, de criar uma melodia apropriada à letra. Em 1906, o hino foi adotado pela prefeitura, passando, desde então, a ser cantado em todas as escolas do Rio de Janeiro. Aos poucos, sua execução estendeu-se às corporações militares e às demais unidades da Federação, transformando-se, extra-oficialmente, no Hino à Bandeira Nacional, conhecido de (quase) todos os brasileiros.

 

O Boletim do 1º Trimestre de 1906 da Intendência Municipal, publicado pela Diretoria Geral de Polícia Administrativa, Arquivo e Estatística, da Prefeitura do Rio de Janeiro, apresenta a letra e a partitura do Hino à Bandeira, como resultado das gestões de Francisco Pereira Passos. Nessa publicação aparece a palavra juvenil.


A 2ª edição do livro “A Bandeira do Brasil”, de Raimundo Olavo Coimbra, publicada em 1979 pelo IBGE, em sua página 505, publica o hino com a palavra juvenil no estribilho.


Não existe nenhum ato oficial do governo federal adotando ou modificando a letra do Hino à Bandeira. Assim, concui-se que a palavra “juvenil” é a correta, uma vez que assim consta na publicação mais antiga do hino que se tem notícia e considerando, ainda, a inexistência de qualquer ato oficial do governo federal acerca do assunto. Mas de onde vem essa história de “varonil”? Provavelmente porque as pessoas envelhecem e não se sentem mais “jovens”, então substituem o juvenil por varonil.


E ainda tem um complicador. A letra do Hino da Independência, composta por Evaristo da Veiga (a música é de D. Pedro I, o próprio). Mas tem também essa confusão entre “juvenil” e “varonil”. A versão original tem uma estrofe assim:


Parabéns, ó! brasileiros!
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.
Do universo entre as nações
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.


Já na versão da Fundação Victor Civita (aqui tem as duas versões, além do Hino à Bandeira original), há uma palavra trocada:


Parabéns, ó brasileiros,
Já, com garbo juvenil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.
Do universo entre as nações
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.


Fonte:
 Noticiário do Exército n.º 9352, de 04 de fevereiro de 1998